
Misericórdia, o amor de Deus!
13/06/2026Após três anos exercendo o serviço de Coordenador Diocesano de Pastoral, tive a oportunidade de conhecer mais profundamente as riquezas, os desafios e as exigências dessa missão tão importante para a vida da Igreja. Foi um tempo marcado por encontros, escuta, planejamento, discernimento e constante busca da comunhão entre as diversas forças evangelizadoras da Diocese, da Província e do Regional Leste 2.
Ao concluir esse período de serviço, partilho algumas impressões e reflexões que nasceram da experiência concreta do trabalho pastoral, da convivência com o bispo, os presbíteros, os diáconos, os religiosos, as lideranças leigas e as comunidades. Mais do que apresentar conceitos teóricos, desejo oferecer uma síntese daquilo que percebi ser essencial para quem é chamado a exercer essa missão de coordenação, animação e serviço à ação evangelizadora da Igreja particular.
O serviço de Coordenador Diocesano de Pastoral exige uma compreensão ampla da missão da Igreja Particular e uma profunda capacidade de articulação entre pessoas, organismos, pastorais e projetos evangelizadores. Trata-se de uma função que ultrapassa os limites da própria paróquia e exige do sacerdote uma visão verdadeiramente diocesana, capaz de contemplar o conjunto da ação evangelizadora. O coordenador torna-se um dos principais colaboradores do bispo na condução pastoral da Diocese, assumindo a responsabilidade de favorecer a comunhão, a participação e a missão em todas as suas dimensões.
Para exercer adequadamente essa missão, é necessário assumir com maturidade a autoridade que lhe é confiada. Tal autoridade não deve ser compreendida como poder ou privilégio, mas como serviço. O coordenador precisa aprender a ocupar seu lugar com serenidade, consciência e responsabilidade, reconhecendo que suas palavras, opiniões e decisões terão impacto significativo na vida pastoral diocesana. Essa postura exige prudência, equilíbrio e capacidade de discernimento, especialmente diante de questões que envolvem mudanças, planejamento e organização da ação pastoral.
Outro aspecto fundamental é a capacidade de compreender a Diocese como um organismo vivo e interdependente. Cada paróquia, pastoral, movimento, comunidade, sacerdote, religioso e leigo constitui uma peça importante dessa grande engrenagem. Por isso, qualquer decisão deve levar em consideração não apenas uma necessidade local, mas também suas consequências para o conjunto da Diocese. O coordenador é chamado a desenvolver uma visão sistêmica da pastoral, percebendo como cada ação pode favorecer ou prejudicar a comunhão e a eficácia da evangelização.
Nesse contexto, a participação ativa nos organismos de consulta e decisão torna-se indispensável. O Conselho Presbiteral, o Conselho Diocesano de Pastoral e outros espaços de planejamento exigem presença qualificada, estudo prévio dos temas e capacidade de diálogo. O coordenador não deve limitar-se a ouvir ou acompanhar as discussões, mas contribuir efetivamente com propostas e reflexões que ajudem a Diocese a discernir os melhores caminhos para sua missão evangelizadora.
Minha compreensão e vivência desse serviço foram enriquecidas pela formação acadêmica realizada na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), especialmente por meio da pós-graduação em Pastoral: Uma Igreja em Saída. Esse percurso formativo proporcionou uma reflexão aprofundada sobre a eclesiologia do Concílio Vaticano II, a renovação missionária proposta pelo magistério do Papa Francisco e os desafios contemporâneos da evangelização. A partir dessa formação, pude compreender com maior clareza que a coordenação pastoral não se reduz à administração de atividades ou à organização de eventos, mas consiste, sobretudo, em animar processos de comunhão, participação e missão, ajudando a Igreja a permanecer em constante saída ao encontro das pessoas, especialmente das periferias humanas e existenciais. A experiência acadêmica, aliada à prática pastoral cotidiana, ofereceu importantes critérios para o discernimento, o planejamento e a articulação da ação evangelizadora em âmbito diocesano. < style="text-align: justify;">

